quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Menor, desacompanhada, desapareceu antes de chegar ao destino. Uma testemunha viu a menina carregando uma sacola e indo em direção a zona norte.


A vida já não era a mesma desde que a mãe falecera. Quando as estrelas reinavam no céu, o quarto de Amanda, 14, era freqüentemente assediado pelo padrasto. A menina tentava reagir. Gritos. Pontapés. Tudo em vão. Um dia, decidiu. Partiria. Para o trabalho não foi. Em uma sacola, reuniu esperanças para um recomeço. Longe da podridão do abuso, da violação. Rumo à zona norte caminhou. Aliviada.



A solicitante estava dentro de seu veículo, estacionado no local, quando foi abordada por dois indivíduos armados com revólver que deram voz de assalto, roubaram o veículo e a bolsa da vítima.
Data do roubo: 2 de fevereiro de 2009.
A vítima tem 30 anos
A natureza do crime é roubo agravado
Local do crime: Av. São Paulo – zona 2 Maringá
Horário do roubo: 2h30



Dia 2 de fevereiro. Fim do relacionamento de 3 anos. Maria Clara Nunes, 30, estava nervosa demais para dirigir, após sair aos prantos da casa do namorado às 2h30. Optou por estacionar o carro na avenida São Paulo e, assim, acalmar-se. Abriu os vidros do carro. Respirou profundamente. Enxugou as lágrimas. Quando ligou o carro, uma voz masculina, trêmula, abordou-a: “Tia, isto aqui é um assalto! Passa a chave da barca. A bolsa. E dá no pé senão leva chumbo”. Num ímpeto, Maria Clara foi arrancada do carro por outro adolescente que lhe apontava uma arma: “Vaza, vaza, vaza, coroa!” Maria Clara não hesitou. E, no horizonte da avenida São Paulo, o som dos pneus cantaram em uníssono.

domingo, 6 de setembro de 2009

Pra Luísa dormir em paz

Tathianne Chiquette

Gosto de sangue na boca. Suave. Fatal. Fora a última sensação de que se recordara. Quando despertou, dois vultos à sua frente: uma boneca, uma menina. As duas conversavam. Distraidamente. Quando perceberam o olhar dúbio de Alicia, o silêncio impregnou os lábios das duas.

De repente, o rosto da boneca é tomado por um sorriso maior, sincero. Ela corre na direção de Alicia que, quando percebe, está com uma boneca de três quilos por entre os braços.

---- Senti sua falta, Alicia!
Incógnita. Essa era a expressão que imperava na reação da escritora. Alicia não a conhecia; seu nome era Clarinha. Boneca Clarinha. Quanto à menina, Alicia também não a conhecia. Ao contrário da boneca de porcelana de riso fácil, a pequenina de cinco anos, pele alva e cabelos negros esboçava um contentamento fúnebre. Sufocante.

---- Alicia, precisa partir. Seus Fantasmas virão te pegar, alertava a boneca.

Alicia estava atônita. Indagava-se se tinha exagerado novamente na vodka. Dormir abraçada com o álcool tinha se tornado um hábito. Na cama, o vazio era preenchido. As feridas; amenizadas.

---- Por quê? Por que você desistiu de mim? , gritava soluçante a menina com olhos de uma inocência ofensiva, interrompendo, assim, as divagações existenciais da escritora.

Alicia não soube responder. Não poderia supor que estava no Mundo do Esquecido. Seu mundo.

---- Eu gostava de brincar com você, menina Alicia. Apreciava os segredos que compartilhávamos, as travessuras, os piqueniques debaixo da macieira. Ah, quanto tempo!

“A boneca Clarinha!! Como pude esquecê-la?”, recordou-se Alicia. A lembrança tinha gosto de algodão doce de fim de tarde. Gosto de saudade. Nostalgia. “Mas, quanto à garotinha?”, remoia-se a escritora.

A criança foi uma possibilidade do existir. Da vida. Um botão de rosa que foi podado, castrado ainda em gestação. Mas, aqui, neste mundo a criança nasceu. Cresceu, floriu sozinha.
---- Qual seria meu nome, mamãe?
“Mamãe”, essa palavra petrificou a respiração de Alicia. Inércia.

Há cinco anos, Alicia viu-se estirada em uma maca. Pernas ao ar. Útero raspado. Uma bacia de alumínio cheia de sangue. Ainda hoje ela ouve o ruído da privada ecoando o infanticídio.

Clarinha aproximou-se de Alicia. Solidária, a boneca julgou o silêncio e a cumplicidade os anestésicos para a dor do arrependimento. Culpa. Remorso.

Subitamente, uma nuvem densa, monocromática de espectros aproximou-se. Os Fantasmas de Alicia. Seus medos, cóleras, angústias, incertezas. Todos superados? Descansavam, em vigília, no Mundo do Esquecido.

---- Alicia, você precisa ir! Encontre a Aurora, alertava a boneca.

Alicia estava petrificada. Ignorava tudo ao seu redor. Apenas vislumbrava a pequenina de cinco anos. Com violência, lágrimas acariciavam o rosto da escritora. Aproximou-se. Mãe e filha. Agachou-se na altura da criança. Os oceânicos olhos da menina refletiam uma miscelânea de tristeza e vazio que, com o maternal abraço de Alicia, foram se dissipando. Gradualmente. Arrependimento da mãe. Perdão infantil.

---- Luísa. Um nome bonito. Nome de uma música. Você gosta?

O rosto da criança resplandeceu. Alicia encontrara a Aurora. A Aurora.


No quarto do hospital, Alicia desperta para vida. Um fio de lágrima percorre sua face, agora, desconfigurada pelo acidente. Luísa. Luísa. “E quando ela está nos meus braços / As tristezas parecem banais / O meu coração aos pedaços / Se remenda prum número a mais (...) Faço a lua / Faço a brisa / Pra Luísa dormir em paz”

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Alter ego à Paris Hilton

Tathianne Chiquette
Como espelho, legaliza-se, possivelmente, minha autoridade em dizer que acompanhei a subjetividade inerente à beleza feminina. Cito alguns momentos. Na verdade, uma tríade deles que se materializaram no colorir pincelado de artistas, mestres retratistas de suas épocas.

Há tempos, no Renascimento, um pintor conhecido como Sandro Botticelli representou a deusa da Beleza e do Amor, em o Nascimento de Vênus, nos moldes das estátuas gregas, estereótipos de beleza da Grécia Antiga. Em contrapartida, outro pintor renascentista, Leonardo Da Vinci, em A Gioconda, chama a atenção por retratar a interioridade e a alma feminina – ambas refletidas no sorriso suave e olhos amistosos da mulher mais conhecida da História da Arte. A obra artística A Liberdade conduzindo o Povo, de Eugène Delacroix, tem na figura feminina a alegoria de liberdade, da ânsia por novos tempos.

No hoje, a confusão entorpece meu âmago quanto à essência da beleza feminina. Como ela seria pintada? À mulher é exigido sucesso profissional semelhante ao zelo doméstico e, nessa esfera, está incluída a impecabilidade do papel de boa esposa e mãe. Sincronicamente, a mulher deve almejar a boa forma física de atrizes e modelos que ditam o arquétipo de beleza da contemporaneidade.

Creio que é humanamente impossível alcançar êxito equitativo em todos esses atributos. Em algum, a mulher peca. E é justamente nesse deslize que os tentáculos julgadores da sociedade agem. Eu, como espelho, viés refletor de ``realidades´´ , sou cúmplice das sucessivas condenações contra a mulher.

Em mais uma divagação, vou me restringir às mulheres cujo foco é canalizado exclusivamente à estética física. São condenadas por narcisismo. Seria, assim, mais fácil de serem pintadas, caricaturadas?

Menciono como exemplo uma esguia rapariga de madeixas douradas que, ultimamente, tem chamado minha atenção. Chamo-a, particularmente, de Marilyn.

Ao contrário das demais mulheres, Marilyn não cuida dos afazeres domésticos. Não é mãe. Não é esposa. Marilyn nutre-se da profissão: é modelo. Algo me intriga quando a vejo refletida em mim: seu comportamento patológico, intoxicante.

Marilyn necessita dos aplausos dos que a cercam. Vitalmente. Sua magreza somali e seu corpo plastificado, comprado são os chamarizes aos olhares alheios. É dependente da admiração do próximo. Acabou por estabelecer uma relação parasitária com a inveja que provoca. Exibicionismo. Delírio de grandeza.

Quando não bastasse apenas seu verniz físico como mola propulsora, entorpece-se de álcool e drogas e comete ``excentricidades´´, como prefere rotular. Hoje, no seu aniversário, ela presenteou seus admiradores. Cenas íntimas de sua celebração sexual com colegas – dignas de serem cerceadas apenas pelos olhos silenciosos das paredes – foram degustadas pelo universo online. Público que retroalimenta seu narcisismo com atenção.

À noite, depois de tudo, quando Marilyn desfaz-se da máscara que camufla sua essência debilitada - a pena afoga meu eu. Seus olhos são vazios, carentes. Suplicam por vida, por um sentido de pulsar. Gritam por socorro que, no dia seguinte, são silenciados com o colorir de mais uma maquiagem.

Novo dia. Nova pintura. Nova caricatura.

sábado, 25 de abril de 2009

1º Bicicletada em Maringá

Tathianne Chiquette


Hoje, uma ciclo-passeata dialogou com a cidade.

O gritante contraste entre o transporte motorizado e o ecológico pedalar foi evidente no percurso da 1º Bicicletada de Maringá.
Após concentração na praça da catedral, ciclistas percorreram as avenidas Tiradentes, Brasil, São Paulo, 15 de Novembro e Getúlio Vargas divulgando o uso consciente da bicicleta como meio de transporte em prol do descongestionamento urbano.

Os ideais do passeio ciclístico foram materializados pela distribuição, nas ruas do trajeto, de panfletos de cunho orientativo quanto à necessidade do respeito no trânsito. Também, entre os ciclistas, foram recolhidas assinaturas que servirão de alicerce para o abaixo assinado ``Manifesto pela Viabilização de Bicicletas como Modo de Transporte para Maringá - Por uma Política Municipal para Bicicletas´´.
Imagem: Tathianne Chiquette

1º Bicicletada em Maringá
































Imagens: Tathianne Chiquette

sábado, 11 de abril de 2009



Além de escrever, uma outra paixão que me move é a fotografia. Eventualmente, postarei algumas imagens de minha autoria. A penúltima saída fotográfica que realizei foi no dia 8 de março, na segunda corrida do Dia Internacional da Mulher .

Imagem: Tathianne Chiquette 08/03/09


Imagem: Tathianne Chiquette 08/03/09